quarta-feira, 18 de abril de 2018

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON

Não me queixo desta vida,
apesar da minha idade.
Queixo, sim, da despedida
que me trouxe esta saudade.

Quando a amargura me assalta
e a tristeza o peito invade,
eu sinto que a tua falta
vai me matar de saudade.

Nesta manhã reluzente
de sol aquecendo a terra,
vejo a beleza presente
no teu olhar cor de serra.

Entre flores, no meu sonho
estavas nos braços meus.
Mas de repente, tristonho,
acordei ouvindo “adeus”.

terça-feira, 17 de abril de 2018

DESABAFO


                                 DESABAFO


                           Não reclamo da vida turbulenta e triste
                           que a predestinação me faz levar, talvez,
                           nem quero levantar a voz ou o dedo em riste
                           para acusar alguém de tanta insensatez.

                           A consciência cruel por certo não resiste
                           fazer o bem, amar, viver com honradez.
                           É próprio do invejoso que na falta insiste
                           muito disfarce, engodo, mágoa e morbidez.

                           O calvário de Cristo nos mostrou o quanto
                           a Humanidade é mesmo pobre e desprezível,
                           a ponto de matar um verdadeiro santo...

                           E desde então as coisas só se complicaram,
                           o aumento dos Pilatos se tornou visível
                           e os Judas, com certeza, se multiplicaram!

                   
                          

domingo, 15 de abril de 2018

IPUPIARA


IPUPIARA – (Homenagem do poeta à cidade do interior baiano)
Filemon F. Martins

Feliz é quem trilhou estes caminhos
que levam à vibrante Ipupiara,
ouvindo o som de belos passarinhos
numa paisagem deslumbrante e rara.

Ibipetum, Pintada e outros vizinhos
Sodrelândia, Vanique e Caiçara,
Chiquita, Bela Sombra com seus ninhos,
Brejões, Coxim que muito me ensinara.

Jamais vou esquecer... O Olho d´Aguinha,
Veríssimo, Barreiro e até Matinha,
Deus me Livre, Umbaúba e Boa Vista.

Felicidade, então, é ter nascido
e neste berço um dia ter vivido
com gente hospitaleira e idealista!






terça-feira, 10 de abril de 2018

JUDAS MODERNO


JUDAS MODERNO 
Filemon F. Martins

Tu que habitas palácios decantados, 
amante da aparência e do dinheiro. 
Os teus castelos ricos, chumaçados, 
nada serão no dia... derradeiro. 

Tens riquezas e carros importados, 
- contas bancárias pelo mundo inteiro, 
- trabalhadores pobres, explorados, 
tudo para chegares em primeiro... 

Esqueceste do exemplo verdadeiro, 
quando morreu o pobre carpinteiro, 
pregado ao lenho de uma rude cruz. 

Queres poder, és Judas do presente 
vendendo o que aparece pela frente, 
traindo, uma vez mais, Cristo Jesus! 


segunda-feira, 9 de abril de 2018

UM DIA NA PRAIA...


UM DIA NA PRAIA...
Filemon F. Martins

Manhã na praia
o ouro do sol ilumina a imensidão.
Os pescadores, no barco, saem para o alto mar.
Gaivotas fazem festa no ar,
uma brisa leve e fria passeia pelo céu.
Meu coração ouve a voz do mar sereno e lindo,
eternizando seus segredos
avançando e quebrando nos rochedos.
Ninguém pode avaliar o que o indômito mar sente
e quer dizer. A tarde cai e a noite chega.
É céu, é mar, é água, é chuva, é tempestade,
é sol, é calor, é vento, é noite, é lua cheia, é maré alta.
O mar suspira e o meu coração acompanha.
E a solidão também...

sexta-feira, 6 de abril de 2018

TRECHOS DO POEMA A SAUDADE


TRECHOS DO POEMA A SAUDADE
Pastor José Britto Barros

Um que que não se diz e nem se explica,
Algo de um bem que parte, mas nos fica
Enchendo a vida de recordação...
Esse que misterioso e não descrito,
De que tanto se inunda um peito aflito
É a saudade, que fere o coração!

Saudade, as cinzas de um passado antigo,
Viva lembrança de um recanto amigo
Onde outrora fruímos um prazer...
Folhas que caem da árvore da vida
Deixando apenas marca ressentida
No coração cansado de sofrer!

Saudade, um bem que já passou, perdido...
O doce amor de outrora, hoje um gemido,
Tudo o que foi e que não volta mais...
E enquanto houver na terra a humanidade
Há de existir também muita saudade,
Saudades mil, saudades perenais!

terça-feira, 3 de abril de 2018

SEM FRONTEIRAS


SEM FRONTEIRAS 

Filemon F. Martins 

Viajo com as nuvens. Sou poeta. 
Gosto de dar vazão ao pensamento. 
Sou capaz de chegar ao firmamento 
e voltar para a terra como atleta. 

Na terra, pego a minha bicicleta, 
vou pedalando mesmo contra o vento, 
enquanto os versos nascem no acalento 
de uma paixão suave e não secreta. 

Não há fronteiras, pois o amor é brando, 
poetas são assim, vivem sonhando 
com um mundo feliz e mais humano. 

Não importa se a vida é muito breve, 
o amor é intenso e o fardo fica leve 
quando o perdão se torna soberano.